Agradecer por estar de volta

Fazer uma pausa não tem mal, não é grave. Tão-pouco precisaria de uma desculpa para ser feita.

“Fiz uma pausa e estou de volta.” Gostaria de vos dizer que foi por esta não-desculpa que estive ausente, mas não. Há cerca de 3 semanas atrás, tropecei numa caixa de papelão desfeita e caí, quase que de forma teatral, no chão. Naquela fração de segundos, em que nos apercebemos que vamos cair, numa tentativa de salvar a minha rótula retalhada, atirei-me para o lado direito e tive “a sorte”, dizem eles, de não fraturar nenhum osso.

Não fraturar nada valeu-me um grande susto e não me deu a liberdade de fazer a minha vida a 100%. Hematomas e inchaços que metem dó, conjugados com uma valente contusão na mão direita, ajudaram a que, ainda hoje, me sinta um pouco impedida de fazer determinado tipo de movimentos.

No entanto, aqui estou eu, a meio gás, é certo, mas a treinar para aquela que considero a melhor época do ano – É oficial: estou de volta!

Quem também está de volta é o frio e, dizem eles, os profissionais mais incertos do mundo, que veio para ficar.

Os telhados brancos da neve de 2a feira, a geada matinal que faz doer os ossos, só de ver, e aquele cheiro a frio e a braseiras, começam a permitir que o espírito Natalício se espalhe um pouco por todo o lado, especialmente nesta casa.

Este é um ano feliz. Mais um ano feliz, com uma Alice mais velha, mais consciente de tudo, mais excitada com a época, com músicas, com comidas e outras tradições.

A meu ver (e por muito mal que isto soe para muitos), Natal não pode ser só sinónimo de Portugal, tem que ser também sinónimo de Suíça, de tradições Helvéticas, para que ela se identifique com o seu país. A verdade é uma, foi aqui que ela nasceu, é aqui que ela vai construir a sua história. Não importa ser de cá ou ser de lá. Na verdade, não perdemos a nossa identidade, apenas a enriquecemos com novas formas de celebrar, com novas tradições.

Hoje, sendo o dia de Acção de Graças, data celebrada por muitos, do lado de lá do Oceano Atlântico, não quis deixar de “roubar” o seu significado para agradecer. Agradecer o facto de estar bem. De estar de volta. De estar aqui direitinha e “aqui”, com todos vocês. Quem me conhece de perto, sabe bem o valor que dou a tudo isto, especialmente nesta época do ano, tão sensível para mim e para os meus.

A receita que vos trago hoje é simples, tão simples. A muitos não deve dizer rigorosamente nada, para além de se tratar de mais um tabuleiro de bolachas. A mim raz-me de novo a infância, com sabor a manteiga e açúcar, e aquece-me o coração.

Sempre fui fã de bolachas amanteigadas, especialmente se o sabor amanteigado for, de facto, predominante e de um misto doce e salgado. Há alguns dias atrás, no seguimento de uma visita em trabalho ao Reino Unido, o Miguel trouxe à Alice umas embalagens de Walkers, versão Natalícia. Não preciso de vos dizer que ela devorou os pacotes de bolachas, sem sequer pedir licença, e ainda pediu mais.

Nos dias que correm, é possível comprar shortbread cookies em praticamente todo o lado. No entanto, há uns anos atrás, especialmente quando morava em Foz Côa, tal era bastante difícil – diria mesmo impossível.

Porque quis entrar com o pé direito na época de Natal, decidi fazer esta surpresa cá em casa: uma árvore de Natal de bolachas Natalícias. Há lá melhor redundância?

Shortbread cookies

ou

A minha versão caseira de Walkers natalícias

Ingredientes para aprox. 25 bolachas:
110g de açúcar de confeiteiro
210g de manteiga à temperatura ambiente
300g de farinha de trigo
1 c. café de baunilha (opcional)
1 pitada de sal

Modo de preparação:

Pré-aqueça o forno nos 160°.

Comece por bater a manteiga, à temperatura ambiente, até que fique bem cremosa. Utilize uma colher de pau.

Junte depois o açúcar de confeiteiro e bata vigorosamente, até obter um creme, sem grumos. Junte ainda a baunilha (opcional) e envolva bem.

Peneire a farinha e junte à manteiga e açúcar. Junte ainda uma pitada de sal. Antes de juntar o sal verifique, no entanto, se a manteiga não é já suficientemente salgada.

A massa irá ficar com uma textura um pouco areada ou aos bocados (depende, honestamente, da consistência da manteiga – a minha era da leitaria cá da terra). Deixe de mexer com a colher de pau e utilize as mãos, para unir a massa, sem fazer demasiada pressão.

Neste momento, tem 2 opções:

  • Enrole a massa numa espécie de chouriço e leve ao frigorifico por cerca de 45min, antes de cortar a massa em rodelas e levar ao forno;
  •  Espalhe a massa num tabuleiro, com a ajuda de papel vegetal. Corte, utilizando a faca ou utilizando formas e leve ao frigorifico, durante cerca de 15 minutos, até conseguir descolar facilmente os excedentes de massa.

Dado tratar-se de uma massa fácil de fazer (e sem grandes truques) envolva as crianças no processo.

Por fim, antes de colocar as bolachas no forno, faça pequenos enfeites com o garfo, a lembrar as shortbread cookies ou, simplesmente, polvilhe com um pouco de açúcar granulado – as minhas tinham um propósito, pelo que optei por as fazer simples.

Leve ao forno por cerca de 15 minutos, deixando as bolachas ganhar um tom dourado suave. As bolachas de tamanho mais pequeno demorarão um pouco menos.

Retire o tabuleiro, deixe arrefecer um pouco (para que as bolachas endureçam) e transfira as bolachas para uma base, para que arrefeçam completamente.

Espero que tenham gostado desta simples e bem amanteigada receita que, acreditem, deixou a Alice muito feliz.

Hoje, grata por estar aqui, com este frio que se faz sentir e este cheirinho quente e doce, considero aberta a época de Natal.

Melhor do que isto, só quando o avô e a tia chegarem, já quase a tempo de fritar as velhoses e pôr o bacalhau a cozer.

Obrigada pela compreensão, face à minha ausência prolongada e por continuarem por aqui comigo.

Até breve… com um doce ou um salgado da época!

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