Chilis e receitas sem truques

Todos nós gostamos de pelo menos um daqueles pratos simples, tão simples, que repetimos vezes sem conta, fazemos de olhos fechados, temperamos sem provar e ficam sempre, sempre bem. Todos temos pelo menos um, certo? Qual é o vosso?

O meu, admito, não é apenas um, embora aquele que me venha logo à cabeça seja mesmo um dos meus preferidos: Chili com carne.

Chili com carne é aquele prato que sofre bullying à mesa. Uns dizem que é forte porque tem feijão, outros dizem que só pode ser comido no tempo frio, porque é muito pesado. Há ainda aqueles que se queixam do picante, da acidez do tomate, dos temperos pouco saudáveis e da comida não recomendada para uma família inteira – especialmente se estivermos a falar de crianças.

Por todas estas razões e comichões, nos últimos 5 ou 6 anos fui adaptando o meu chili aos vários contextos em que tenho que o fazer. Ora vejam:

Se faço chili para uma ocasião especial, opto por utilizar uma peça grande de carne de vaca que vai ao forno, embrulhada em especiarias, dentro de um tacho pesado, durante pelo menos 4 horas. Este é aquele chili cuja carne se desfaz no garfo e se derrete na boca – uma loucura.

Se faço chili para uma refeição “como outra qualquer”, preparo um guisado simples, utilizando carne previamente picada, junto-lhe vários legumes e temperos mais saudáveis (e contidos), para que se adapte a uma alimentação mais equilibrada e familiar.

Se faço chili para acompanhar com tortilhas ou nachos, normalmente noites ao estilo tex-mex, intensifico os sabores, uso molhos menos naturais e encho-o de tons e sabores picantes, queijo cheddar para derreter e colheradas de guacamole, com margaritas a acompanhar.

Dentro destes estilos, não acho que tenha uma receita preferida, até porque, de certa forma, elas se conjugam entre si e mostram aquilo que mais aprecio neste prato: a fusão de todos os sabores num só.

Há muita gente que pensa que o chili é um prato pouco saudável. Há muita gente que considera o chili um prato para fazer ao fim de semana, por ser muito complicado. Honestamente, a meu ver, o chili pode ser tudo aquilo que nós quisermos – tudo vai depender das nossas escolhas e do contexto em que o queremos fazer.

Depois de toda esta conversa e de perceberem o quanto gosto de chili, devem estar a perguntar-se porque razão nunca publiquei uma única receita. Não vos sei responder. Sei apenas que hoje vou corrigir essa lacuna.

Hoje trago-vos uma das minhas receitas de chili com carne. Esta é aquela receita equilibrada e descomplicada que considero a mais saudável, a mais rápida e a mais prática. Este é o chili que preparo em qualquer dia da semana, seja almoço, seja jantar e opto por cortar na quantidade de carne, insistindo mais nos legumes. Não recorro a caldos, molhos ou artifícios, para além de algumas especiarias que lhe conferem aquele sabor mais característico – e, mesmo assim, uso-as com bastante contenção.

 

Chili com carne

Ingredientes para 4-5 pessoas:
2 cebolas médias
3 dentes de alho
2 cenouras médias
1 talo de aipo
1 pimento vermelho
400g de carne de vaca picada
800g de tomate pelado picado
1 lata pequena de feijão encarnado escorrido
350ml de água
1 lata pequena de milho
1 ramo de coentros
azeite q.b.
sal q.b.
pimenta q.b.
1 c. café de cacau (ou 1 quadrado de chocolate preto)
1 a 2 c. de chá de paprica (doce ou fumada)
1 pitada de canela
1 a 2 c. de chá de cominhos
malagueta (fresca ou seca) a gosto

1 abacate maduro
6 tomates cherry
1 cebola pequena
1/2 lima
1 ramo de coentros

Modo de preparação:

Adicione um bom fio de azeite ao tacho e leve ao lume. Assim que quente, junte a cebola e os alhos picados e deixe refogar um pouco. Junte o aipo picado finamente e envolva bem. Deixe cozinhar por 2 ou 3 minutos.

De seguida, pique finamente as cenouras, corte os pimentos às tiras ou cubos finos e junte tudo ao tacho.

Envolva bem antes de juntar a carne, os coentros picados, as especiarias, o sal e a pimenta. Pique finamente a malagueta e junte.

Deixe a carne ganhar alguma cor, sempre num lume médio-alto. Assim que a carne ganhe um tom dourado, junte o cacau em pó, o tomate pelado picado e a água. Deixe ferver durante alguns minutos, mexendo de vez em quando.

Assim que a água comece a evaporar, prove e rectifique os temperos ao seu gosto.

Ao fim de alguns minutos, vendo que o molho começa a querer apurar, junte o feijão e o milho. Deixe cozinhar por mais alguns minutos, enquanto prepara o guacamole simples.

Para o guacamole, pique grosseiramente 1 abacate maduro, 6 tomates cherry, 1 cebola pequena e 1 ramo de coentros.

Misture tudo e tempere com um pequeno fio de azeite e sal. Por fim, regue com sumo de 1/2 lima, retifique os temperos e reserve.

Por esta altura, o chili deve estar pronto, o seu molho bem apurado. Se fizer questão, deite agora algumas gotas de tabasco, para lhe conferir aquele sabor característico.

Sirva o chili de imediato, simples ou com arroz, com uma colher de guacamole por cima e 1 pouco de sour cream/iogurte grego ou crème fraîche, que irá contrabalançar os sabores e dar alguma frescura ao prato.

Se há coisa que não gosto é de ser privada de comer qualquer coisa porque é “muito fresco para o Inverno” ou “demasiado pesado para o tempo quente”. Se hoje em dia nos queixamos que em Outubro ainda é verão e que em Maio ainda cai geada, então porque é que continuamos a cair nestes preconceitos gastronómicos?

Espero que tenham gostado da minha sugestão de hoje.

Aproveito para desejar a todos uma boa semana e agradecer por continuarem por aqui comigo.

Até breve!

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