Sushi chez nous e os jantares que nos fazem felizes

Nesta casa adoramos Sushi, já vos disse? Simples; de fusão; crus; cozinhados à mistura; por vezes só arroz.

Muitas vezes me perguntam porque é que eu me dou ao trabalho de passar horas na cozinha a preparar algo que, pelo mesmo preço (ou mais barato), sabe ao mesmo e não cansa. A minha resposta? A minha resposta é um silêncio interno e um “hum, hum” vocal.

O Sushi que fazemos em casa não é feito a partir das técnicas infalíveis dos grandes chefs e, admito, a minha cozinha fica um caos de taças e tacinhas e bagos de arroz colado. Mas vale a pena, vale tanto a pena todo o ritual de preparação.

Dando como exemplo as últimas sessões de Sushi, é normalmente assim que todo o processo se dá:

1ª Etapa – Decidir fazer Sushi às 7:00 da manhã

“Bom dia, amor! Queres fazer Sushi hoje à noite?”
“Porque não?! Vai ser para nós?”
“Hummm… Não, estava a pensar levarmos o tabuleiro ao vizinho de cima, ele deve gostar!”
(som e cara de descontentamento dele) “Estava a tentar saber se querias convidar a malta para cá vir comer também.”

Esta etapa inclui ainda mandar mensagem aos amigos a perguntar se querem comer Sushi, antes mesmo de estes terem tido tempo para tomar o pequeno almoço.

2ª Etapa – Esperar que os supermercados abram para comprar peixe

É neste momento que eu me recordo da maravilha que é ir ao mercado em Portugal, onde podemos escolher o bocado de salmão que queremos, encontrar (quase) sempre atum com um ar fabuloso para além de uma grande variedade de outros peixes que queiramos experimentar.

Esta, para mim, é a etapa mais importante. Quando o peixe não me agrada não há Sushi ou, quanto muito, há só arroz!

Habitualmente, em dias bons de peixe, compramos salmão; atum; bacalhau fresco e filetes de dourada. Os peixes brancos chegam a casa e vão logo para o congelador, a única técnica que, por razões de saúde, não pode falhar.

3ª Etapa – A restante lista de compras

Como Sushi não é só peixe, esta é a etapa em que eu revejo/decido a restante lista de compras. Esta etapa pode ou não passar por uma ida à loja Asiática que, por sorte, fica aqui bem perto! Nada disto daria trabalho, não estivesse eu sempre a inventar e a esquecer-me de alguns pequenos ingredientes que, no fim, fazem toda diferença.

4ª Etapa – Desenho da Tábua e escolha de sabores

Esta etapa só existe porque eu tenho a mania que tudo o que se faz na cozinha (em dias de mesa cheia) deve ser programado ao pormenor. Não tenho muito mais a dizer. As imagens falam por si, digo eu.

5ª Etapa – Fazer o arroz antecipadamente

Fazer arroz de Sushi não é tarefa nada difícil, excepto se se esquecerem dele ao lume!

As minhas regras de base não mudam:

Passo 1- Seguir as instruções que vêm na embalagem de arroz;
Passo 2- Quando o arroz começa a ferver, tapa-se e reduz-se o lume para o mínimo;
Passo 3- Deixa-se cozinhar por 15 minutos, sem levantar a tampa;
Passo 4- Desliga-se o lume e deixa-se ficar tapado durante mais 10 minutos;
Passo 5- Tempera-se o arroz com vinagre/açucar/sal a gosto (sim, a gosto, sem medo!), mexendo cuidadosamente;
Passo 6- Coloca-se o arroz numa travessa alta, coberto com uma toalha molhada em água fria (sem estar a pingar).

Se usarmos esta técnica podemos fazer o arroz com bastante tempo de antecedência.

6ª Etapa – Preparar todos os Ingredientes

Este é o momento em que comemos Sushi pela primeira vez neste dia. Tira daqui, prova dali, o objectivo principal é dividir o peixe nos vários cortes necessários: picado para decorar, às tiras para enrolar, às fatias para sashimi ou nigiris (eu a fingir ter técnica). Marinadas feitas, pistachios descascados e picados e outros legumes partidos de feição, fica para o fim o abacate, esse senhor que gosta de ficar feio quando exposto demasiado cedo.

7ª  e última Etapa (esperemos nós) – A Hora H

Na hora de começar a “construir” o jantar entro em modo pânico! Quero sempre que saia melhor do que da última vez, mas para isso seria necessário não estar constantemente a inventar e a criar novos obstáculos.

Ele ocupa-se dos rolos, eu das peças individuais, do corte e da decoração. E dou ordens, muitas ordens!

Quando pensamos que tudo está a correr bem, a miúda chora, o gato mia e a campaínha toca. Entram os amigos, beijinhos e abraços, casacos para ali, garrafas para acolá, miúdas aos saltos de alegria por poderem brincar juntas. Servem-se os primeiros copos de vinho, fazem-se os primeiros brindes…e o Sushi atrasa-se!

Comemos uma hora e tal depois do combinado, tiramos fotos à pressa para atacarmos a mesa. Todos gozam connosco, fazemos sempre Sushi para uma equipa de futebol. Tendências megalómanas? Não, apenas felicidade plena!

Sentindo-me assim pronta para responder a quem me pergunta porque é que me dou ao trabalho, eu respondo: se tivéssemos comprado o Sushi em caixinhas bonitinhas e com tempero ao lado, o jantar seria divertido na mesma, pela companhia. Porém, ao fim do dia, os bagos de arroz colados no chão da cozinha seriam bagos de arroz sem carácter nenhum, nem histórias nossas para contar.

E assim termino o meu primeiro post dedicado ao Sushi. Convido-vos a partilhar e a dar a conhecer estas imagens aos vossos amigos, amantes destes sabores, que ainda acham que fazer Sushi em casa é só e apenas uma carga de trabalhos.

Obrigada por estarem aqui comigo!

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