Um ravioli muito asiático

Gyōza; jiǎozi; guioza ou um ravioli versão continente asiático, pouco me importa o nome, quando o sabor e a textura ditam tudo neste prato. Andei anos a namorar estas almofadinhas recheadas, sem nunca ponderar fazê-las em casa. Que decisão tão errada, hoje admito. Para além da receita super fácil, temos aqui uma actividade muito divertida para fazer em família ou entre amigos.

No início do ano, farta de pagar por minipratos de guiozas que nos deixam sempre com vontade de comer mais 2 ou 3, decidi finalmente experimentar a receita em casa. Foi gula, apenas gula, vontade de ter uma travessa de guiozas só para mim, aliada, talvez, a uma pequena dose de curiosidade em saber fazer este prato.

Sem histórias nem recados, este é, para mim, aquele tipo de prato que requer algum estudo inicial. Em primeiro lugar, porque a cozinha asiática não é uma cozinha que eu domine. Em segundo lugar, porque alguns destes ingredientes não são usados assim com tanta frequência na minha cozinha. Sim, eu sei o que leva o molho teriyaki, sei também dosear a marinada do meu salmão, quando preparo sashimi marinado. Até sei inventar qualquer coisinha, sem recurso a outras receitas ou conselhos. No entanto, receitas são receitas e a das guiozas, para mim, sempre teve aquele ar de minuciosidade.

No dia em que decidi experimentar fazer as guiozas em casa, passei algum tempo colada ao ecrã, a pesquisar técnicas e a roubar ideias para a receita. No fim, com bastante suporte online e estes dedos batatudos e maljeitosos, lá acabei por fazer umas guiozas jeitozinhas. O defeito: 1 ou 2 ingredientes que predominavam e precisavam de ser postos de parte ou reduzidos em quantidade. Sim, porque uma coisa é não saber fazer, outra é não saber apreciar.

Uns meses mais tarde, seguindo o mesmo princípio, decidi misturar um pouco mais de outras receitas e técnicas que, entretanto, fui vendo – nada como tentar melhorar uma receita. Testei a receita final, um pouco a medo, mas gostei mais do resultado. Com sabores igualmente fortes, mas mais subtis, e aquela massa ora um pouco frita, ora cozida a vapor. Sucesso garantido cá em casa.

Gosto da versão frita das guiozas, especialmente por causa dos contrastes da cor, textura e sabor na massa. A versão que vos trago hoje é essa. Eu gosto de as deixar fritar um pouco mais do que o “suposto”, especialmente porque, com o vapor, acabam por ganhar um tom mais acastanhado por todo. No entanto, se as preferem mais clarinhas, estejam atentos ao tempo de fritura. Na receita a seguir, todas as técnicas que eu usei.

Não acho que esta receita seja da minha autoria (e por isso não lhe dou a minha assinatura), até porque é vítima dos retalhos que fui fazendo ao longo das minhas várias tentativas. No entanto, também não vos sei dizer de quem é. É daqui, é dali, é das minhas mãos, do meu paladar e dos conselhos dos outros. Acima de tudo, é uma receita maravilhosa e divertida de fazer – é esse o valor que lhe confiro.

Gyōza

de carne de porco e legumes

Ingredientes para aproximadamente 60 unidades
350g de carne de porco bem picada
1 pak-choi (tamanho médio) cortada finamente
cebolo (8 pés)
2 c. sopa de gengibre ralado finamente
3 dentes de alho esmagados ou ralados
2 a 3 c. de sopa de molho de soja
1 c. de sopa de vinagre de arroz
1 c. de sopa de pasta miso
1 c. de chá de óleo de sésamo
1 c. de sopa rasa de amido de milho
1 pitada de sal
discos de massa para guioza (à venda congelados, em lojas asiáticas – estes de tamanho mais pequeno)
óleo de sésamo para pincelar a frigideira
água q.b. para cozer a vapor

Modo de preparação:

Comece por descongelar os discos antecipadamente. Retire-os da embalagem e coloque-os sobre um pano, para que não sequem demasiado.

Na hora de preparar as guiozas, junte todos os ingredientes numa taça e misture bem. Este processo não tem segredo nenhum, embora aconselhe a que realmente corte finamente a couve e o cebolo, bem como se certifique que a carne de porco está mesmo bem picada.

Seguidamente, lave e seque bem as mãos. Coloque um pouco de água numa taça e comece a preparar as guiozas.

Coloque um disco sobre a palma da mão. Passe um pincel (ou dedo) em água e hidrate um pouco as extremidades do disco.

Com a ajuda de uma faca ou colher pequena, coloque um pouco de carne no centro do disco e pressione. Ajuste o disco na sua mão, e comece a dar-lhe forma.

Feche uma das extremidades e comece a dobrar, prega a prega, até chegar ao fim da massa. O dedo polegar será uma grande ajuda para a massa não colar onde não deve.

Certifique-se que o recheio fica bem protegido dentro da massa e vá colocando as guiozas prontas sobre papel vegetal.

Na hora de fritar, escolha uma frigideira antiaderente, com uma tampa compatível. Pincele a frigideira com um pouco de óleo de sésamo e leve ao lume a aquecer. Disponha as guiozas pela frigideira, para que possam fritar um pouco – deixe fritar por cerca de 2 minutos, em lume médio-alto.

Levante uma das guiozas e verifique o tom da massa. Se estiver com um tom dourado, está na hora de cozer ao vapor.

Deite aproximadamente 100ml de água, de uma só vez, na frigideira, tape e deixe evaporar.

Este processo demorará alguns minutos. Assim que toda a água evaporar, as guiozas estarão prontas.

Acompanhe as guiozas com um molho comprado (há molhos à venda que considero bastante agradáveis) ou prepare um molho caseiro, que é bem simples, bastando ter os ingredientes. Deixo-vos uma ideia:

Molho para acompanhar as Guiozas:
(quantidades a adaptar)
1 dose de molho de soja
1/2 dose de vinagre de arroz
algumas gotas de óleo de sésamo
algumas gotas de um molho picante
cebolinho picado
malagueta picada

Espero que tenham gostado da minha sugestão de hoje. Bem sei que para algumas pessoas não é assim tão fácil encontrar alguns dos ingredientes, no entanto, se puderem (e encontrarem), experimentem – é maravilhoso!

Sim, eu sei que sou suspeita, mas experimentem e digam-me o que acharam.

Aproveito para desejar a todos uma excelente semana e agradecer por continuarem por aqui comigo.

Até breve!

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